Mais buscas terminam sem visita a nenhum site. Para Guto Bertoncini, o marketing precisa trocar a pergunta: de quantos cliques para quem é citado.
Por
Flowup Agency
Por muito tempo, o marketing de busca teve uma medida simples: o clique. Aparecer bem no Google trazia visita, e a visita virava oportunidade. Essa troca está se desfazendo. Na minha opinião, boa parte do mercado ainda mede o mundo antigo.
A resposta agora chega pronta, no alto da página ou dentro de um assistente de IA. A pessoa lê e segue a vida. O site que forneceu a informação não recebe a visita.
O que os estudos mediram
O Pew Research Center acompanhou 900 adultos nos Estados Unidos em março de 2025. Quando a página do Google trazia um resumo de IA, as pessoas clicaram em um resultado tradicional em 8% das visitas. Sem o resumo, em 15%. O clique em uma fonte citada dentro do resumo aconteceu em 1% das visitas. O estudo saiu em 22/07/2025.
A SparkToro, com dados da Similarweb, mediu as buscas feitas no Google nos Estados Unidos de janeiro a abril de 2026: 68,01% terminaram sem clique. Em 2024 eram 60,45%. Os números foram publicados pelo Search Engine Land em 09/06/2026.
São estudos dos Estados Unidos, com métodos diferentes. Não medem o Brasil. O que eles têm em comum é a direção.
A pergunta errada sobre o volume
Em 19/02/2024, a Gartner previu que o volume das buscas tradicionais cairia 25% até 2026, com a chegada dos chatbots de IA. Desde então o debate ficou preso nessa conta: caiu ou não caiu.
Para mim, é a pergunta errada. Mesmo que as pessoas busquem tanto quanto antes, mudou o destino da busca. A busca continua. A visita é que ficou rara.
Menos visitas, outra pergunta
Se a resposta é lida sem visita, o relatório de tráfego mostra só uma parte da história. A marca pode estar em muitas respostas e não ver isso em sessão nenhuma. Pode também estar fora de todas e não perceber.
A pergunta deixa de ser “quantas visitas a busca trouxe”. Passa a ser “em quantas respostas da minha categoria a marca aparece, e descrita do jeito certo”.
Isso muda o que vale produzir. Texto genérico, que repete o que já está em toda parte, é o que um resumo de IA substitui com mais facilidade. Resiste o que só a marca tem: dado próprio, experiência documentada e posição com argumento.
O que eu mudaria na segunda-feira
Somar uma medida. Ao lado de sessões e posições, registrar todo mês se a marca aparece nas respostas de IA para as perguntas que decidem a compra.
Escrever para a pergunta. Cada pergunta importante do cliente merece uma resposta direta, em uma página da marca, com fonte.
Trocar volume por prova. Menos textos, cada um com algo que não se copia.
Cuidar dos fatos. Nome, serviços, datas e números iguais em todos os lugares onde a marca aparece.
Em resumo
Mais buscas terminam sem visita, segundo estudos feitos nos Estados Unidos.
O clique deixou de contar a história inteira. A presença na resposta também precisa ser medida.
O texto que resiste traz dado próprio, experiência e posição.
Perguntas frequentes
O que é busca sem clique?
É a busca que termina sem visita a nenhum site. A pessoa lê a resposta na própria página do buscador ou no assistente de IA.
O SEO acabou?
Não. O SEO (Search Engine Optimization), a otimização para buscadores, segue alimentando os resultados e as respostas de IA. O que muda é a medida de sucesso.
Esses números valem para o Brasil?
Os estudos citados foram feitos nos Estados Unidos. Servem como direção, e não como medida do mercado brasileiro.