Conteúdo, Social & Influência

Conteúdo genérico virou custo

Quando produzir texto genérico custa quase nada, ele deixa de valer. Veja por que o modelo de volume envelheceu e o que fazer com o acervo antigo.

Pilha de folhas em branco com uma única folha magenta no meio.

Durante anos, publicar muito funcionou. Produzir texto era caro, e os buscadores premiavam quem cobria mais assuntos. As duas condições mudaram ao mesmo tempo. Hoje, o texto genérico é mais um custo a manter do que um bem que rende.

Chamo de modelo de volume a rotina de publicar muitos textos parecidos, um para cada palavra-chave.

O que mudou

A Graphite analisou 55,4 mil artigos em inglês publicados entre janeiro de 2020 e março de 2026. No primeiro trimestre de 2025, os artigos escritos principalmente por IA quase empataram com os escritos por pessoas: 49,6% contra 50,4%. Desde então a proporção ficou perto de 50%. O estudo saiu em 15/05/2026.

Quando metade da oferta nova é produzida a custo próximo de zero, o que é genérico deixa de ser diferencial. Vira excesso.

Por que o genérico perde

  • O resumo dilui. Uma informação que está em cinquenta páginas entra na resposta de IA sem crédito para nenhuma delas.
  • A escala tem risco. A política de spam do Google chama de abuso de conteúdo em escala a criação de muitas páginas com pouco ou nenhum valor para quem lê.

Não se trata de uma punição ao texto feito com IA. Trata-se de não haver cenário em que o genérico ganhe.

Os custos que não aparecem

  • Manutenção. Cada página antiga precisa de revisão, ou envelhece em público.
  • Concorrência interna. Textos parecidos disputam a mesma busca entre si.
  • Diluição. Muito texto raso torna mais difícil entender em que a marca é boa.
  • Risco. Um acervo grande e raso pesa sobre o site inteiro.
  • Visita sem encaixe. Tráfego que não tem relação com o que a empresa vende.

O que fazer com o acervo

  1. Juntar. Várias páginas rasas sobre o mesmo tema viram uma página profunda, com redirecionamento das antigas.
  2. Enriquecer. O que tem base ganha dado próprio, exemplo e atualização.
  3. Retirar. O que está fora do território da marca e não tem função sai do ar.

Para o que vem pela frente, vale outra régua: menos textos, cada um com algo que só a marca tem. Dado próprio, experiência documentada, posição com argumento e profundidade.

Em resumo

  • Segundo a Graphite, cerca de metade dos artigos novos em inglês é escrita principalmente por IA.
  • Texto genérico se dilui nas respostas e custa para manter.
  • O acervo antigo pede três decisões: juntar, enriquecer ou retirar.

Perguntas frequentes

O que é o modelo de volume no conteúdo?

É a rotina de publicar muitos textos parecidos, um para cada palavra-chave, para ganhar tráfego pela quantidade.

A IA pune conteúdo genérico?

Não há punição declarada ao texto feito com IA. O que há é a diluição nas respostas e a política de spam do Google contra a produção em escala sem valor.

O que fazer com anos de textos publicados nesse modelo?

Uma revisão do acervo, com três saídas para cada página: juntar com outras, enriquecer ou retirar.

Fontes

Sobre o autor. Guto Bertoncini é fundador da Flowup Agency, agência de autoridade digital e UX de São Paulo. Criou a Confraria do Marketing em 2026.

Texto de análise, assinado. As recomendações são do autor.

Aviso de interesse. O autor é fundador da Flowup Agency, agência que presta serviços nos temas deste texto.

Origem. Uma primeira versão deste texto saiu no blog da Flowup Agency. Erros de fato podem ser apontados pela página Contato.

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