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ChatGPT já vende anúncios no Brasil: o que a marca compra e o que não vê

O ChatGPT já exibe anúncios no Brasil. Veja onde aparecem, quem os vê, o que o anunciante recebe de dados e o que ainda falta saber sobre a medição.

Duas pessoas conversam em uma mesa de café, com um cartão de mesa em branco entre as xícaras.

Em 5 de outubro de 2026, a OpenAI anunciou um novo formato de anúncio no ChatGPT: peças visuais exibidas enquanto o usuário gera uma imagem. O teste começa ainda em outubro, nos Estados Unidos, para quem usa os planos Free e Go. No mesmo comunicado, a empresa informou que o ChatGPT alcança 1,2 bilhão de pessoas por semana.

O formato é o passo mais recente de uma mudança que tem oito meses. Os primeiros anúncios apareceram em 9 de fevereiro, em um teste restrito aos Estados Unidos. Em 26 de março vieram pilotos no Canadá, na Austrália e na Nova Zelândia. Em 11 de agosto, a OpenAI atualizou a página oficial do programa para informar que os anúncios tinham sido lançados no Reino Unido, no México, no Brasil, no Japão e na Coreia do Sul.

Para quem compra mídia no Brasil, a pergunta útil é o que exatamente se compra nesse ambiente. A resposta tem duas metades. Há uma audiência grande, que declara o que procura em linguagem natural. E há menos visibilidade sobre onde o anúncio apareceu do que a busca paga oferece.

Como o anúncio aparece

Segundo a OpenAI, o anúncio é exibido dentro da conversa, rotulado como patrocinado e separado visualmente da resposta. A empresa afirma, em mais de um documento, que a publicidade não influencia o que o ChatGPT responde.

Nem todo usuário vê anúncios. Os planos pagos Plus, Pro, Business, Enterprise e Education ficam de fora. Contas de menores de 18 anos também, inclusive quando a idade é só estimada pelo sistema. A OpenAI diz ainda que não exibe anúncios perto de temas como saúde, saúde mental e política.

O usuário tem controles. Pode dispensar um anúncio, ver por que ele foi exibido, apagar os dados de publicidade e desligar a personalização. No plano gratuito, pode optar por não ver anúncios em troca de um limite menor de mensagens por dia.

O que o anunciante recebe

A compra é feita por leilão. A central de ajuda da OpenAI descreve um leilão de segundo preço, ponderado pela relevância do anúncio para a conversa. Não existe palavra-chave de correspondência exata. O anunciante escreve sugestões de contexto, que orientam a entrega e não asseguram presença em uma conversa específica.

Os relatórios trazem impressões, cliques, gasto, taxa de cliques, custo médio por clique, custo médio por mil impressões e conversões. O que não vem é a conversa. A OpenAI afirma que os anunciantes não têm acesso ao que o usuário escreveu, ao histórico nem às memórias do ChatGPT. Os dados chegam agregados.

Na prática, a marca sabe quanto pagou e quantas pessoas clicaram. Não sabe qual pergunta levou ao clique.

De piloto fechado a autoatendimento

O acesso mudou depressa. Em 5 de maio, a OpenAI abriu nos Estados Unidos a versão beta de um gerenciador de anúncios em autoatendimento, segundo o site Axios. Na mesma data, a cobrança por clique passou a conviver com a cobrança por mil impressões. Asad Awan, responsável por monetização na OpenAI, disse ao Axios que o investimento mínimo de 50 mil dólares, exigido na fase de testes, estava sendo retirado.

Os números de receita ainda são poucos e vêm de terceiros. O Axios cita reportagem da Reuters, de março, segundo a qual o piloto americano passou de 100 milhões de dólares em receita em seis semanas. Publicações do setor, como o PPC Land, tratam o mesmo número como receita anualizada. A diferença é grande, e a OpenAI não detalhou o dado nas páginas consultadas para este texto.

O mesmo Axios registra as metas da empresa: 2,5 bilhões de dólares em receita de anúncios em 2026 e 100 bilhões até 2030. A eMarketer, citada pela reportagem, projeta que o investimento em anúncios de busca por IA nos Estados Unidos sairá de 1 bilhão de dólares em 2025 para 25,9 bilhões em 2029. São metas e projeções, e não resultado.

A medição ainda está no começo

Junto com o formato visual, a OpenAI anunciou integrações com empresas de dados e de mensuração, entre elas Hightouch, Tealium, LiveRamp, AppsFlyer e Triple Whale. Há também pilotos de adequação de marca com DoubleVerify e Integral Ad Science.

Os casos divulgados são favoráveis. Segundo a OpenAI, a DV Rockerbox mediu na WeightWatchers um custo por aquisição 15,3% menor que a referência de busca paga da própria marca. A Triple Whale informou que 93% dos visitantes levados pelos anúncios à loja Portland Leather eram novos.

Dois cuidados cabem aqui. São exemplos escolhidos pela plataforma que vende a mídia. E a própria OpenAI escreve que o trabalho de incrementalidade, que mede o que não teria acontecido sem o anúncio, está em estágio inicial.

O que se sabe sobre o Brasil

A chegada ao país foi preparada em julho. Segundo o Meio & Mensagem, Dave Dugan, que comanda a área global de soluções da OpenAI, esteve no Brasil para ouvir agências e anunciantes. A empresa contratou dois executivos brasileiros para a operação de negócios: Isabela Dumans, que veio do Google Brasil, e Luiz Felipe Fabrini, que veio da Netflix Brasil.

Falta informação pública sobre o resto. As páginas oficiais consultadas não dizem a data exata do início da veiculação no Brasil, nem se o autoatendimento já está aberto a empresas brasileiras, nem quais são os valores praticados aqui.

O que muda para quem investe em busca

O ChatGPT entra no plano de mídia como um canal de intenção: a pessoa diz o que quer, e o anúncio aparece ao lado da resposta. A diferença para a busca paga está no controle. Não há termo de busca para auditar, nem relatório de consultas.

Como o painel não mostra a pergunta que levou ao clique, a leitura de resultado passa a depender dos dados da própria marca, como vendas e cadastros. Três movimentos devem indicar o rumo do produto: a expansão do formato visual para fora dos Estados Unidos, a abertura do autoatendimento em outros países e a publicação de estudos de incrementalidade feitos por terceiros.

Em resumo

  • O ChatGPT exibe anúncios no Brasil desde meados de 2026, nos planos Free e Go.
  • O anunciante recebe dados agregados e não vê a conversa do usuário.
  • A compra é por leilão, com cobrança por mil impressões ou por clique.
  • A medição de incrementalidade ainda está no começo, segundo a própria OpenAI.

Perguntas frequentes

O ChatGPT tem anúncios no Brasil?

Sim. Em 11 de agosto de 2026, a OpenAI informou que os anúncios no ChatGPT tinham sido lançados no Brasil, junto com Reino Unido, México, Japão e Coreia do Sul. A empresa não divulgou a data exata do início.

Quem vê anúncios no ChatGPT?

Usuários adultos dos planos Free e Go. Os planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Education não exibem anúncios, e contas de menores de 18 anos também não.

O anúncio muda a resposta do ChatGPT?

A OpenAI afirma que não. Segundo a empresa, o anúncio aparece rotulado como patrocinado e separado da resposta.

O anunciante vê a conversa do usuário?

Não. A OpenAI informa que o anunciante recebe dados agregados, como impressões, cliques e conversões, e não tem acesso às conversas, ao histórico nem às memórias.

Como se paga por um anúncio no ChatGPT?

Por leilão, com cobrança por mil impressões ou por clique. A cobrança por clique foi incluída em 5 de maio de 2026, segundo o Axios.

Fontes

Sobre o autor. Redação da Confraria do Marketing. Texto informativo. As observações finais são leitura dos dados e das fontes citadas. Erros de fato podem ser apontados pela página Contato.

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